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Bispo gay divide Igreja anglicana

Líder maior da religião critica ‘‘ênfase excessiva na questão homossexual’’ e diz que fiéis e religiosos deveriam se concentrar em temas como a luta contra a pobreza, guerras e injustiça

Da Redação

Chris Young/AP

Rowan Williams enfrenta conservadores e defende nomeação de bispos sem levar em conta opção sexual



Foto/AP

Jeffrey John. Sua nomeação ameaça unidade anglicana

 

Para evitar um racha na Igreja anglicana, o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, veio a público defender o direito de nomear homossexuais como bispos. Sobre a polêmica criada em torno da questão, disse que a credibilidade da igreja acabou sendo comprometida por um debate regado de ‘‘real incompreensão’’. Embora não tenha citado o fato diretamente, ele se referiu à ordenação do teólogo Jeffrey John em 9 de outubro passado, feita por ele próprio, e deixou claro que não voltará atrás na decisão. A Igreja anglicana é a religião oficial da Grã-Bretanha e tem como chefe máximo a rainha Elizabeth II.

  Na carta do arcebispo, enviada por e-mail anteontem à noite aos 116 representantes de dioceses e bispos na Grã-Bretanha e endereçada aos seus ‘‘irmãos em Cristo’’, ele demonstrou sua decepção com o que classificou como ‘‘obsessão da Igreja pela questão do homossexualismo’’. Mas tentou acalmar os ânimos que, se continuarem tão acirrados, podem levar a uma cisão da Igreja, como ameaçam alguns integrantes na Grã-Bretanha e em outras sociedades mais conservadoras, especialmente da África, da Ásia e da Austrália.

  Em resposta aos evangélicos que o acusaram de não exercer a liderança esperada, Williams disse que o que a Igreja diz sobre sexualidade é ‘‘parte necessária da crença’’ mas criticou a excessiva concentração neste tema nas últimas semanas, lembrando que há temas muito mais importantes para os anglicanos se dedicarem, como a pobreza, a guerra e a injustiça.

Críticas
Seu posicionamento acontece uma semana depois de nove bispos diocesanos terem criticado a nomeação de Jeffrey John numa carta aberta. O grupo, que inclui o 15º na hierarquia da Igreja, o bispo de Winchester, Michael Scott-Joynt, disse estar preocupado com a biografia do teólogo, da qual faz parte uma relação homossexual de 20 anos.

  Ao divulgar a carta-resposta, o arcebispo disse que o seu objetivo era ‘‘clarificar’’ a questão, uma vez que ela já havia se tornado de domínio público. Apesar de discordar do ‘‘grupo dos nove’’, Williams disse que a preocupação deles é ‘‘teologicamente séria’’ e será levada em conta por ele. Entretanto, os evangélicos ficaram desapontados.

  ‘‘Ele disse que isto é um problema da diocese de Oxford, mas não é. A ordenação de Jeffrey John abre um precedente que não pode ser revertido’’, afirmou o reverendo Rod Thomas, do movimento conservador evangélico Reforma.

  O bispo de Oxford, reverendo Richard Harries, que apoiou Jeffrey John, revelou que há 11 diocesanos na área episcopal de Reading, para a qual o teólogo homossexual foi indicado, que têm ressalvas contra ele. ‘‘Eu pessoalmente quero ver uma igreja muito mais amigável com gays e lésbicas’’, defendeu.


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